O curso de Direito e eu


12/12/2017 às 11h45
Por Graziele Tomaz de Aquino

 

Alguns conhecidos meus que ainda estão no ensino médio ou se formando, às vezes me perguntam sobre meu curso. Têm muitas dúvidas não só sobre qual curso superior fazer, mas também se esse é mesmo o próximo passo, considerando as variáveis que a vida de cada um possui em relação a isso. Sendo assim, resolvi compartilhar minha experiência aqui no blog, pois foi uma das coisas que mais senti falta na minha época: relatos sobre o curso das pessoas.

 

Antes de tudo, quero deixar bem claro que não somos obrigados a fazer uma faculdade logo que nos formamos no ensino médio. Cada um tem suas condições, financeiras ou psicológicas, que podem influenciar muito nessa decisão. Ninguém é mais importante que o outro porque começou cedo ou não a cursar a graduação. Todos nós temos nossa peculiaridade e devemos ser realistas em relação a isso e almejar sempre o melhor de acordo com nossas condições. Hoje compartilho tão somente a minha experiência e espero que possa ajudar os demais, independente de qual fase da vida esteja. Ok?

 

Na minha época, não conhecia muitas pessoas que estavam onde estou hoje por exemplo, na reta final do curso de Direito ou mesmo qualquer outra faculdade. Tudo que eu sabia sobre o ensino superior, foi através da internet e inúmeras revistas que eu comprava sobre vestibular. Essa última foi uma das minhas maiores ferramentas na ajuda da escolha de qual curso fazer. Comprava todas as edições do Guia do Estudante no final do ano. Eu abria mão de comprar algo para adquirir as revistas e me aprofundar mais. Se fosse hoje, talvez nem compraria, pois o acervo da internet é muito maior. O segredo é saber escolher os melhores materiais de preparação para vestibular. Uma das revistas que mais gostei foi uma que tratava apenas de questões acerca do que é uma faculdade, etc. O ensino público nos deixa pouco preparados pra isso. Sempre saímos cheios de perguntas e curiosidades sobre isso que, infelizmente, pode nos atrapalhar muito.

 

Sempre fui uma pessoa que gostava muito de ler. E sim, quando alguém brinca dizendo que Direito é um curso que lê muito, acredite, a dimensão é bem maior do que se passa na cabeça de quem ouve. Esse foi o motivo principal de ter escolhido Direito. O segundo, que por ter contato com amigos do meu pai que eram policiais, me chamava a atenção essa área. Mas outro curso que sempre me chamou atenção também foi Psicologia, porque amo tudo que envolve interação humana, etc. Ambos cursos leem bastante. Sabendo disso e já tendo um motivo a mais no Direito, ao ver relatos de algumas pessoas no YouTube, já me animei um pouco mais com o curso. Mas um pouco medrosa em relação ao tipo de leitura, de não gostar do estilo e achar os livros "chatos". Lembro de uma vez que eu, toda animada comentando com uma conhecida que fazia Direito, que eu amava ler, ela me disse: "Você vai odiar ler depois que começar o Direito então. Nem vai ter tempo de ler esses livros de literatura seus". Isso foi extremamente desanimador. Mas hoje percebi que quem faz seu tempo é você mesmo. É possível ler obras literárias sim! Só é mais difícil. Acho que tudo na faculdade se resume a isso: Não é impossível, só difícil. E, convenhamos, o fácil nunca me encheu os olhos também. Então toquei o "que se dane" e fui ao próximo passo: estudar pro vestibular.

 

Minhas notas no Enem sempre foram razoáveis, pois estudava sozinha e com pouco material disponível. Mas como sempre tive o hábito de ler, foi uma arma poderosa pra mim, deixando minhas redações sempre boas, sendo o peso maior nas notas do Enem que fiz. Com o Prouni, cheguei a conseguir uma bolsa parcial em Belo Horizonte, minha cidade natal. Mas, por ser parcial, as despesas que teria por morar fora de Itanhomi com certeza não iriam compensar. Sendo assim, prestei vestibular na Fadivale e Univale pra Direito. Na época (2013), a Univale estava dando bolsa integral para os 3 primeiros colocados no vestibular. Fui com o pensamento de que faria na Univale se fosse com Bolsa. Se não, na Fadivale, onde as poucas pessoas que conhecia que cursavam/cursaram Direito se formaram. Resultado: 4º Lugar na Univale! Acho que nunca chorei tanto na vida (rs)!

 

Sendo aprovada na Fadivale também, a próxima preocupação era com a mensalidade. Não tínhamos muita condição, pois na época, o caminhão que transportava gás que a empresa da família vende tombou na estrada indo à Belo Horizonte e teve a carga saqueada, o que gerou muito prejuízo. Com muita dificuldade, pagamos as primeiras mensalidades até conseguir o FIES integral, que na época não precisava da nota do Enem (graças a Deus rsrs), somente de disponibilidade da faculdade, que eram poucas. Acredito que foi um milagre de Deus. Pois não tinham mais vagas do Fies naquele semestre, mas parece que alguém deixou de entregar algum documento ou deixou perder prazo, abrindo uma vaga de exceção que fui logo pegando, pois ficava no sistema toda hora tentando, chegando a virar madrugada atualizando o sistema. Ou seja, como disse no início, cada um tem sua peculiaridade. A minha foi essa e nunca foi motivo pra que eu desistisse. Hoje temos muitas opções de ingresso no ensino superior. Tente todas, absolutamente TODAS!

 

Depois de começar a faculdade, tive muita dificuldade em me encaixar no curso. É uma realidade totalmente diferente do que eu estava acostumada. O Direito, basicamente, é o estudo dos conflitos entre as pessoas, com o objetivo de solucioná-los. Você tem 5 anos para estudar as leis que foram feitas com esse objetivo, leis que regulam a convivência humana, estuda formas de usá-las em defesa de algo ou alguém, etc... Você começa a receber um turbilhão de informações sem parar! Mas sempre é possível driblar isso tudo e acabar "passando". Mas com as amizades que fiz ao longo do curso com pessoas que já estavam no final, sempre ouvi um "aproveite ao máximo o aprendizado do início do curso, porque faz muita falta no final". Juro, ouvi isso de MUITOS estudantes e recém-formados. Pensei ser então muito importante seguir essa dica e levei o curso sempre muito a sério. Do 1º ao 4º período mais ou menos, tive muita dificuldade de gostar do Direito. Era bacana, mas não me enchia os olhos. Cheguei a cogitar a mudança pra Psicologia várias vezes. Mas permaneci na luta e com o tempo fui me apaixonando cada vez mais. É fascinante saber como um simples argumento bem elaborado pode salvar ou condenar uma pessoa! São inúmeros os motivos que me fizeram me apaixonar perdidamente pelo Direito. A convivência com as pessoas da faculdade, amizade com colegas de classe, professores e funcionários da instituição me ajudaram muito a me sentir em casa e conseguir a levar o curso de forma mais responsável.

 

Se formar no curso de Direito é relativamente fácil hoje em dia. Pra você ter ideia, o Brasil possui mais de 1.200 faculdades, contra cerca de 1.100 do resto do mundo. O Brasil possui 1.240 cursos superiores de Direito. Com esse número, o país se consagra como a nação com mais cursos de Direito do mundo todo! A soma total de faculdades de direito no mundo chega a 1.100 cursos. Segundo dados do Cadastro Nacional de Advogados (CNA) do Conselho Federal da OAB, por exemplo, em novembro deste ano, o Brasil chegou à incrível marca de 1 milhão de profissionais da advocacia. Ou seja, cerca de 1 profissional da área para cada 200 brasileiros. O mercado da advocacia está extremamente competitivo!

 

São inúmeras as alternativas de carreira ao terminar o curso: advogacia, centenas de concursos, etc. Ocorre que mesmo com número tão expressivo de profissionais da advocacia no Brasil, a maioria dos estudantes entram no curso de Direito por entrar, e não seguem o tal conselho que mencionei ter recebido. Este ano de 2017, por exemplo, teve a pior prova de primeira fase do Exame da OAB de todos os tempos: 86,65% de reprovação!

 

Sendo assim, se pretende cursar esse maravilhoso curso que é o Direito, entre na faculdade sabendo que para se destacar, a luta vai ser grande, muito grande, mas jamais impossível! É um curso puxado e ao mesmo tempo gostoso. Com o tempo a gente aprende a gostar mais e mais.

 

Se mesmo com essa história você ainda tiver alguma dúvida, sinta-se à vontade para comentar ou entrar em contato pelas redes sociais para saná-las. Terei o maior prazer em ajudar sempre naquilo que estiver ao meu alcance, pois senti falta disso quando comecei e sei o que é estar com a cabeça borbulhando de preocupação e ansiedade sobre o que fazer da vida. Se serve de consolo, às vezes até hoje tenho isso (rs).

 

 

Dica de filme (que amei ter visto no início do curso): "12 homens e uma sentença".

 

 

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Graziele Tomaz de Aquino

Estagiário - Governador Valadares, MG


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