*O PATRIARCADO E O FEMINISMO: A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA PARA O CUIDAR E RESPEITAR AOS ÓRFÃOS DO FEMINICÍDIO EM PAULISTA/PE*


20/07/2026 às 11h03
Por Nirvana Dusseldorf Barbosa Silva

*Linha de Pesquisa:* 
Formação de Professores e Prática Pedagógica e de Subjetividades Coletivas.
*1 INTRODUÇÃO*
Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Joaquim Nabuco em 2012 e especialista em 
Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdade de Ciências Humanas - Esuda em 
2017.
E possuo experiências como intérprete de libras nos anos iniciais do ensino fundamental 
por ter concluído o curso de libras do Básico I ao Avançado com carga horária de 240 
horas, na Prefeitura de Igarassu no ano de 2021.
Desenvolvi artigos que buscassem a importância do debate na inclusão com o 
Transtorno do Espectro Autista, busco agora aprofundar sobre os órfãos do feminicídio.
A presente pesquisa se justifica, onde o Brasil apesar de seus belos pontos turísticos e 
uma diversidade cultural riquíssima ocupa como o quinto país com o maior número de 
casos de feminicídio (assassinato de mulheres em razão do seu gênero) no mundo. Um 
crime hediondo praticado há séculos, desde criança presenciava nos telejornais como 
"crime de amor" e que recentemente estabeleceram como feminicídio pela Lei nº 
13.104/15. Contudo, esta pesquisa visa apresentar os fundamentos do patriarcado na sociedade 
brasileira que está presente até hoje. Como relata LERNER (2019): "a família patriarcal 
é impressionantemente resiliente e varia em épocas e locais distintos", bem como o 
feminismo e a importância do cuidar e respeitar na formação dos professores para 
acolher os órfãos do feminicídio no ambiente escolar.
Desta forma, é relevante fortalecer uma formação crítica, alinhada à igualdade de 
gênero onde tal pesquisa será de suma importância para amparar tais crianças rompendo 
ciclos de violência ao terem um olhar mais humanizador.
O problema a ser solucionado é: Como a formação dos professores da educação básica 
em Paulista/PE pode contribuir no cuidar e respeitar aos órfãos do feminicídio?
*2 OBJETIVOS (GERAL E ESPECÍFICOS)*
*2.1 Objetivo Geral*
- Analisar como a formação dos professores da educação básica pode contribuir no 
cuidar e respeitar os órfãos do feminicídio.
*2.2 Objetivos Específicos*
- Identificar o contexto histórico de Patriarcado e sua influência no feminicídio.
- Identificar aspectos do feminismo e seu contexto histórico.
- Avaliar como os órfãos do feminicídio são tratados no ambiente escolar no Paulista / 
PE.
*3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA*
*3.1 PATRIARCADO* O patriarcado como sistema social, cultural e político no qual o poder está concentrado 
nas mãos dos homens. Houve como contexto histórico forte no período colonial. Um 
período marcado de misoginia em que a Igreja Católica buscava para propagar sua fé e 
perpetuar o cristianismo.
A importação da metrópole de um discurso moralizador sobre uso dos corpos, instala-se 
na Terra de Santa Cruz de par com o desejo cristianização e difusão da fé Católica, bem 
como a ânsia do sistema mercantil de construir contingentes populacionais que 
habitassem as novas terras. (DEL PRIORE, 1989, p. 15-16)
[...] Quando mães, lutam com seus filhos contra as correntes da indigência, da 
dificuldade material, e da desproteção. Suas pobrezas as obrigam muitas vezes a enjeitá-
los, a "dá-los para criar", a abortá-los, sem deixar registros de sua dor. (DEL PRIORE, 
1989, p. 58-59)
É como DEL PRIORE reafirma em 1989 que seus corpos, seus restos, suas vozes nos 
têm obrigado a mudar o olhar sobre as gerações que nos procederam.
Mas o que é patriarcado? Sendo um sistema social histórico de dominação masculina, a 
palavra tem origem grega, combinando "pater" (pai) e "archein" (governar) sendo seu 
significado literal pai governar ou dominação de pai.
Colocar o nome da dominação masculina - patriarcado - na semântica significa operar 
segundo a ideologia patriarcal, que torna natural essa dominação - exploração. 
(SAFFIOTI, 2015, p. 59)
[...] pode-se dizer que o patriarcado conta com a idade de 5.203-4 anos. (SAFFIOTI, 
2015, p. 59)
E tal patriarcado está ligado ao gênero, pois é um sistema social que historicamente 
privilegia os homens em relação às mulheres, moldando as normas de uma sociedade e 
influenciando as famílias, bem como instituições sociais e políticas. [...] o gênero é a construção social do masculino e do feminino. [...] Muitas vezes, a 
hierarquia é apenas presumida. [...] pois o patriarcado não abrange apenas a família, mas 
atravessa a sociedade como um todo. (SAFFIOTI, 2015, p. 48-49)
E tal gênero e patriarcado, segundo SAFFIOTI (2015), está presente na violência.
Os dados de campo demonstram que 19% das mulheres declaram espontaneamente, 
haver sofrido algum tipo de violência da parte de homens, 16% relatando casos de 
violência física, 2% de violência psicológica e 1% de assédio sexual. (SAFFIOTI, 2015, 
p. 49-50)
E esta violência praticada contra a mulher por uma pessoa próxima, exercida pelo fato 
dela ser mulher e pela violência doméstica se chama feminicídio.
Como relata SAFFIOTI (2015, p. 53) o caso de Maria Colsa é muito conhecido e deve 
ter ocorrido por volta de duas décadas atrás. Seu namorado jogou álcool em seu corpo e 
ateou-lhe fogo. A moça teve queimaduras de suma gravidade, ficando deformada.
Pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2025 estabelece que em 2024, 
ocorreram 1469 feminicídios, ou seja, quatro por dia e que a Lei 13.104/2015 incluiu o 
feminicídio como qualificadora do homicídio e crime hediondo. (CARDOSO; 
SANTOS, 2025, p. 2-3)
E RASCOVSKI e D'AURIA (2023, p. 195-196) confirmam que esse crime acontece 
contra as mulheres naqueles casos de violência doméstica que decorre em morte ou 
contra mulheres pelo simples fato de serem mulheres, ou seja, pelo seu gênero, pela 
condição de sexo feminino.
E o feminicídio advém de uma cultura machista, que ao longo do tempo criou a ideia de 
mulher como coisa, que pode ser mandada, dominada e deve ser, acima de tudo, 
subordinada. Remonta o conceito de uma sociedade patriarcal.
LERNER (2019, p. 363) lembra que hoje, o desenvolvimento histórico criou, pela 
primeira vez, as condições necessárias através das quais os grandes grupos de mulheres 
- podem se emancipar da subordinação. Para finalizar, LERNER (2019, p. 377) afirma que uma visão de mundo feminista 
permitirá que mulheres e homens libertem a mente do pensamento patriarcal, e também 
de sua prática, para enfim construírem um mundo livre de dominação e hierarquia, um 
mundo que seja verdadeiramente humano.
Portanto, não basta só de reformar leis, terá que buscar a libertação do pensamento e da 
prática patriarcal para um mundo humano.
*3.2 FEMINISMO*
O feminismo é difícil de ser conceituado porque engloba uma diversidade de correntes, 
perspectivas e contextos históricos e culturais. Além disso, o feminismo evolui ao longo 
do tempo com novas demandas que varia bastante dependendo do contexto e da 
perspectiva.
É difícil estabelecer uma definição precisa do que seja feminismo, pois este termo 
traduz todo um processo que tem raízes no passado, que se constrói no cotidiano, e que 
não tem um ponto predeterminado de chegada. Como todo processo de transformação 
contém contradições, avanços, recuos, medos e alegrias. (ALVES, 1985, p. 2)
Mas o que é feminismo? ALVES (1985, p. 8-9) relata que [...] o feminismo procurou, 
em sua prática enquanto movimento, superar as formas de organização tradicionais, 
permeadas pela assimetria e pelo autoritarismo. Assim, o movimento feminista não se 
organiza de uma forma centralizada, e recusa uma disciplina única, imposta a todas as 
militantes.
O feminismo busca repensar e recriar a identidade de sexo sob uma ética em que o 
indivíduo, seja ele homem ou mulher, não tenha que adaptar-se a modelos 
hierarquizados, e onde as qualidades "femininas" ou "masculinas" sejam atributos do ser 
humano em sua globalidade.
Contudo, por tal pluralidade existente no feminismo como foi relatado anteriormente, há 
várias controvérsias que geram tais divergências. E essas divergências de alguma forma 
traz críticas de algumas pessoas, bem como outras tem uma compreensão equivocada do 
mesmo. No contexto histórico, para ALVES (1985, p. 11, 21 e 41), na Grécia a mulher ocupava 
posição equivalente à do escravo no sentido de que tão somente estes executavam 
trabalhos manuais, extremamente desvalorizados pelo homem. Em Atenas ser livre era, 
primeiramente, ser homem e não mulher, ser ateniense e não estrangeiro, ser livre e não 
escravo.
Existe, nessa perseguição das "feiticeiras", um elemento claro de luta pela manutenção 
de uma posição de poder por parte do homem: a mulher, tida como louca, supostamente 
possuiria conhecimentos que lhe confeririam espaços de atuação que escapavam ao 
domínio masculino.
Onde ALVES (1985, p. 74) finaliza que o feminismo se constrói, portanto, a partir de 
resistências, derrotas e conquistas que compõem a História da Mulher e se coloca como 
um movimento vivo, cujas lutas e estratégias estão em permanente processo de re-
criação.
Contudo, busca uma igualdade de gênero contra a discriminação e as desigualdades que 
as mulheres enfrentam em várias esferas da vida, como também promove o 
empoderamento delas e a desconstrução de estereótipos de gênero.
*3.3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES*
ARANHA (2012, p. 240-241) relata que a filósofa alemã de origem judaica, Hannah 
Arendt (1906-1975) sobre a banalidade do mal, que o mal cometido pode aparecer como
se fosse banal como os movimentos totalitários na Europa banalizam o holocausto.
Podemos também trazer tal exemplo para o feminicídio e os órfãos do feminicídio. 
Como a falta de políticas públicas ativas e eficientes para as mulheres e crianças que 
sofrem cada vez mais com tal situação.
[...] um país que revelou, ao longo de seus governos pouco interesse pela educação 
básica de sua população. (GATTI, 2019, p. 20) Portanto, não é só a falta de políticas públicas para os órfãos do feminicídio que há 
escassez. GATTI (2019, p. 20) afirma: Não é de hoje que enfrentamos dificuldades em 
ter professores habilitados para cobrir as demandas da população escolarizável, 
dificuldades para oferecer uma formação sólida, e, também, recursos suficientes para 
dar a eles condições de trabalho e remuneração adequadas. É um dos traços persistentes 
e problemáticos em nossa história.
CARDOSO e SANTOS (2025, p. 1) re-afirmam que o feminicídio configura-se como 
uma das formas mais extremas e cruéis de violência de gênero, culminando não somente 
na trágica perda de vidas femininas, mas, também em consequências devastadoras para 
os filhos e filhas das mulheres assassinadas, que tornam órfãos. Essas crianças 
enfrentam desafios emocionais, sociais e educacionais, especialmente no ambiente 
escolar, onde o luto tende a ser silenciado.
RASCOVSKI e D'AURIA (2023, p. 201) afirmam que são crianças que precisam de 
uma atenção especial, pois de acordo com RAIMBAULT (1979), quando a criança 
perde um dos genitores, além de perder um objeto de amor, ela também perde uma base 
identificadora.
Segundo CARDOSO e SANTOS (2023, p. 5, apud CARDOSO; SILVA, 2011), diante 
dessa realidade complexa, é fundamental que a escola acolha as vivências dos alunos, 
especialmente as marcadas por violências como o feminicídio. A educação deve ser 
entendida como parte de um esforço coletivo de transformação social, junto às políticas 
públicas na proteção da infância e prevenção da violência.
Para CARDOSO e SANTOS (p. 5, apud LOPES; HATA, 2023), para tanto, a formação
inicial e continuada de educadoras deve incluir a temática de gênero, preparando-as para 
práticas pedagógicas críticas e acolhedoras.
E CARDOSO e SANTOS (p. 5, apud FÉLIX, 2015), dessa forma, o currículo escolar 
deve ser articulado a questões de gênero, diversidade e direitos humanos, preparando 
futuras educadoras para atuarem com metodologias inclusivas e sensíveis às múltiplas 
realidades sociais.
CARDOSO e SANTOS (2025, p. 13) traz além que mais é preciso mais, formar 
educadoras para atuar com sensibilidade e consciência crítica, garantir a presença de 
equipes multiprofissionais nas escolas e consolidar práticas pedagógicas que reconheçam o luto, a dor e a diversidade das infâncias. Educar, nestes casos, é também 
cuidar, escutar e resistir.
Para finalizar, CARDOSO e SANTOS (p. 14) concluem que essa transformação não 
dependa apenas da boa vontade das professoras mas do compromisso ético do Estado e 
da Sociedade. Dessa maneira, investir na formação docente, garantir apoio psicológico, 
promover projetos interdisciplinares e valorizar a escuta são passos fundamentais para 
que nenhuma criança ou adolescente afetado por essa tragédia silenciosa seja 
abandonado.
Mais do que nunca, é necessário que a escola seja um território de afeto, justiça e 
possibilidade, um lugar onde os filhos e filhas das vítimas do feminicídio possam 
encontrar voz, acolhimento e a esperança de um futuro diferente.
Contudo, uma escola para acolher os órfãos do feminicídio deve ser, então, um 
ambiente seguro e sensível às necessidades emocionais dessas crianças.
*4 CONSIDERAÇÕES FINAIS*
A pesquisa aponta para a urgência de políticas públicas e de uma formação docente que 
contemple as especificidades do luto e do trauma vivenciados pelos órfãos do 
feminicídio. A escola, enquanto espaço de formação e socialização, precisa assumir
compromisso ético de acolhimento e transformação social.
 

  • Patriarcado; feminismo; Feminícidio

Referências

ALVES, Branca Moreira. Feminismo. São Paulo: Abril Cultural: Brasiliense, 1985.

ALVES, Branca Moreira; PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo. São Paulo: 

Brasiliense, 1985. (Coleção Primeiros Passos). ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofar com textos: temas e história da filosofia: 

volume único. São Paulo: Moderna, 2012.

CARDOSO, Cláudia Pons; SANTOS, Mariana Moreira dos. O luto invisível: desafios e 

práticas pedagógicas no acolhimento de órfãos do feminicídio nas escolas. In: III 

SIMPÓSIO SOBRE FEMINICÍDIOS – ANAIS, UEL, 2025, p. 1-17.

DEL PRIORE, Mary. A mulher na história do Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1989.

FÉLIX,. Título. Cidade: Editora, 2015.

GATTI, Bernardete Angelina. Professores do Brasil: novos cenários de formação. 

Brasília: UNESCO, 2019.

LERNER, Gerda. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos 

homens. Tradução Luiza Sellera. São Paulo: Cultrix, 2019.

LOPES, ; HATA,. Título. Cidade: Editora, 2023.

RAIMBAULT, Ginette. A criança e a morte. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.

RASCOVSKI, Luiz; D'AURIA, Priscila Santos Martins. Luto de órfãos do feminicídio: 

Compreensão do fenômeno e formas de cuidar. Revista de Vitimologia e Justiça 

Restaurativa, São Paulo, ano I, v. II, p. 190-209, jul. 2023.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero, patriarcado, violência. 2. ed. São Paulo: 

Expressão Popular: Fundação Perseu Abramo, 2015.

WERNECK, Claudia. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva! Rio de Janeiro, WVA, 1997.


Nirvana Dusseldorf Barbosa Silva

Estudante de Direito - Paulista, PE