O filme norte-americano “Till: a busca por justiça” retrata a história de uma mãe que procura licitude pela morte de seu filho, linchado por um grupo racista, travando uma batalha judicial e mostrando as imagens cruas do racismo sofrido pelo progênito, sem receber o devido auxilio. No brasil atual casos como este fazem parte do cenário vivido pelo judiciário, que não cumpre seu papel como mediador entre cidadãos, entidades e o Estado, enfrentando desafios para oferecer uma juridicidade ativa e imparcial para todos. Logo é evidente como a morosidade e a falta de acesso à justiça atuam como propulsores que tornam esse panorama cada vez mais atroz.
A priori, deve-se salientar em que medida a morosidade do sistema jurídico brasileiro afeta a obtenção da justiça. Isso acontece porque o judiciário não recebe estrutura adequada para lidar com a demanda, cada vez mais crescente, que torna o processo lento, outro fator que auxilia a formação dessa problemática é a necessidade da passagem de decisões por estancias superiores que possuem menos capacidade e eficiência nos julgamentos, gerando um excesso de judicializações. Tal cenário, assemelha-se a ratificação do termo criado pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, “cidadãos de papel”, que descreve pessoas que apesar de possuírem documentação física não tem seus direitos atendidos. Assim, fica evidente que um poder mediador sem estrutura e com excessos burocráticos não pode atender a população de maneira efetiva.
A posteriori, pode-se notar como a falta de acesso à justiça promove desafios para o funcionamento pleno do judiciário. Tal realidade é exposta no filme norte-americano “Erin Brokovich: Uma mulher de talento” em que a protagonista enfrenta dificuldades para convencer seus clientes, por não compreenderem o funcionamento e os termos do meio jurídico, fato que quase gerou uma decisão desvantajosa. A partir disso, nota-se como o vocabulário complexo e a falta de informações claras e acessíveis são obstáculos que impedem os despossuídos de receberem equanimidade em seus julgamentos, por não possuírem capacidade de albergar o conhecimento forense. Destarte, em virtude de informações inacessíveis boa parte da população não possui seus direitos atendidos.
Diante do exposto, capta-se como mudanças no judiciário brasileiro são necessárias. Para tanto, cabe ao Supremo Tribunal Federal, em sua função de zelar pelo cumprimento da Constituição Federal, oferecer justiça a todos os cidadãos, por meio da distribuição de estrutura adequada e conteúdo simplificado, com o fito de aliviar a demanda enfrentada pelo sistema forense. Para que, dessa forma, todos tenham acesso a uma justiça justa e igualitária.
