Sugestões da OCDE para o Brasil.


16/09/2026 às 10h16
Por Alexandre Rocha Pintal

Reforma assimétrica. 

Há espaço considerável para melhorar o desempenho econômico brasileiro alterando partes importantes do modelo econômico. Mas a evidência disponível aponta mais para uma reforma profunda da economia mista brasileira do que para uma troca binária “capitalismo → socialismo” ou “Estado → Estado mínimo”.

A OCDE acaba de diagnosticar o problema de forma bastante clara: o Brasil continua com grande distância de PIB per capita em relação aos países mais ricos, investimento fraco e produtividade estagnada. Além disso, está entre os países com maiores barreiras regulatórias à concorrência no indicador da organização. 

Pode-se resumir os últimos relatórios em cinco mudanças estruturais voltadas à estimular a concorrência e reduzir a proteção segmentada de empresas estabelecidas. O Brasil historicamente protege setores da concorrência interna e externa. A OCDE encontra barreiras elevadas à entrada de empresas, regulação excessiva e proteção comercial que dificultam a realocação de capital e trabalho para empresas mais produtivas.

Uma abertura comercial gradual e previsível, acompanhada da redução de barreiras internas, tende a aumentar pressão por produtividade e facilitar acesso a tecnologia e insumos mais baratos. 

Mudar a relação entre Estado e setor privado, não simplesmente encolhendo o Estado. O problema relevante está na qualidade da intervenção: subsídios, regimes especiais e proteção podem manter empresas pouco produtivas; ao mesmo tempo, Estado eficiente em infraestrutura, educação, regulação, pesquisa básica e proteção social pode elevar produtividade. A OCDE recomenda simultaneamente mais concorrência e mais investimento em infraestrutura e qualificação profissional. 

Reorganizar profundamente o gasto público.

O problema brasileiro não é apenas “quanto o Estado gasta”, mas onde e como gasta. A OCDE aponta crescimento de despesas obrigatórias, rigidez orçamentária e dívida elevada como fatores que comprimem espaço para investimento público. A recomendação atual é melhorar eficiência do gasto e sustentabilidade da dívida, preservando capacidade de investimento. 

Tributação menos destrutiva para produção e formalização.

Aqui já existe uma mudança estrutural em andamento: a reforma dos impostos sobre consumo. Tanto Banco Mundial quanto OCDE esperam que sua implementação reduza custos de conformidade e aumente produtividade. A OCDE também recomenda reduzir encargos não salariais sobre trabalhadores de menor renda para favorecer formalização. 

Capital humano e infraestrutura.

Não adianta liberalizar mercados se trabalhador, porto, ferrovia, energia, saneamento e logística permanecerem deficientes. O Banco Mundial coloca justamente educação, infraestrutura, inovação, abertura comercial e aumento de poupança/investimento entre as prioridades para elevar a produtividade brasileira. 
 

Fonte: 

https://www.oecd.org/en/publications/foundations-for-growth-and-competitiveness-2026_40a7532f-en/full-report/brazil_7155911c.html?utm_source=chatgpt.com

https://www.worldbank.org/ext/pt/country/brazil?utm_source=chatgpt.com

 

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Alexandre Rocha Pintal

Advogado - Curitiba, PR